Orientações

Complicações nas estomias e região da pele peristomia

Complicações

Descolamento mucocutâneo

No pós-operatório, as estomias podem apresentar descolamento mucocutâneo parcial ou total, o que contribui para o surgimento da retração. Trata-se de uma complicação precoce, caracterizada pela ruptura da linha de sutura entre a estomia e a parede abdominal.. (BORGES; RIBEIRO, 2015; BURCH, 2014b).

Os principais fatores de risco são: tensão excessiva na sutura, infecção na linha de junção, necrose da estomia e problemas na cicatrização da ferida operatória, uso regular de terapia com esteroide, radioterapia prévia, desnutrição, entre outros. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015; STEINHAGEN; COLWELL; CANNON, 2017; VIEIRA, 2014).

Nos casos de descolamento, o local onde há a separação mucocutânea deve ser avaliado para que se verifique a condição dos tecidos e a extensão do rompimento da linha de sutura. Quando a separação é parcial, a cicatrização ocorre por segunda intenção e o tratamento é o conservador, com cuidados locais para evitar o contato com fezes ou urina. Nos casos de separação mucocutânea total é necessária a reintervenção cirúrgica, em razão do risco de contaminação da cavidade abdominal. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015).

Descolamento mucocutâneo parcial

Fonte: Arquivo pessoal da Enfermeira ET Sandra Marina da Silva Rosado Furtado (2015)

Descolamento mucocutâneo total

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2016).

Os cuidados com o descolamento mucocutâneo envolvem: observação do estágio inflamatório, pelo risco de peritonite por infiltração do conteúdo fecal na cavidade abdominal; uso de sistema coletor com placa recortável e transparente para permitir a visualização da estomia; uso de resina sintética em pó para estomia e barreira protetora de pele em forma de resina sintética em pasta, para impedir a infiltração do efluente sob a placa adesiva. (BORGES; RIBEIRO, 2015; BURCH, 2014b). Esses cuidados evitam a contaminação fecal na área e a reavaliação é uma conduta importante, pois tal intercorrência predispõe a eventual retração e estenose da estomia. (STEINHAGEN; COLWELL; CANNON, 2017).

Cuidados no descolamento mucocutâneo parcial

Fonte: Borges e Ribeiro (2015); Burch (2014b) e Imagens cedidas do arquivo pessoal da enfermeira ET Sandra Marina da Silva Rosado Furtado (2015).

 
 

Apesar de a confecção da estomia ser considerada um procedimento cirúrgico simples, as complicações que surgem geralmente podem ser evitadas com uma adequada demarcação prévia do local e com técnica cirúrgica apropriada. O planejamento de cuidados específicos no período perioperatório dessas cirurgias são importantes, uma vez que interferem no processo de reabilitação do paciente. (PAULA; CESARETTI, 2014a; SCHMIDT; HANATE, 2015). 

A orientação das pessoas com estomia e de seus cuidadores é de responsabilidade da enfermagem e pode influenciar diretamente as ações de cuidado e autocuidado. Desse modo, a assistência de enfermagem especializada tem contribuído para a redução das complicações na pele periestomia. (SCHREIBER, 2016).

Nesse contexto, é importante destacar a orientação em relação à dieta, à promoção da ingesta hídrica e à identificação de sinais e sintomas que indicam obstrução intestinal, tais como náuseas, vômitos e distensão abdominal. (KAYO et al., 2015). 

Algumas complicações são imediatas, surgem nas primeiras 24 horas do pós-operatório, por exemplo: necrose de alça, hemorragia e edema. Outras são classificadas como precoces, ocorrendo entre o primeiro e o sétimo dia do pós-operatório, dentre as quais se destacam: o descolamento mucocutâneo, a fístula e a retração da estomia. As complicações tardias, por sua vez, se manifestam após a alta hospitalar ou até meses depois da cirurgia, por exemplo: hérnias paraestomais, prolapso de alça, retração da estomia, estenose, lesões pseudoverrucosas e dermatite periestomia. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015).

Além disso, algumas complicações são específicas das ileostomias, tais como: déficit de nutrientes (vitamina B12, magnésio e potássio), diarreia e dermatite. (KAYO et al., 2015). A seguir são descritas as complicações imediatas, mediatas e tardias.