Orientações

Complicações nas estomias e região da pele peristomia

Complicações

Isquemia e necrose

A estomia necessita ser inspecionada regularmente. Deve apresentar coloração avermelha úmida ou rosada e ter uma ligeira protrusão acima da pele periestomia. Uma estomia mal perfundida pode parecer pálida ou de cor azulada. Caso a estomia esteja de coloração preta, pode indicar necrose. (BURCH, 2014b; SCHREIBER, 2016). 

Estomia sem intercorrências

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2017).

Necrose de alça

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2017).

Nas estomias intestinais, a isquemia manifesta-se nas primeiras 24 horas após a cirurgia e pode ocorrer por tensão excessiva no mesentério ou arcada vascular, bem como por abertura estreita na parede abdominal onde se expõe a mucosa intestinal. (PAULA; MATOS, 2015). 

A necrose de alça resulta da irrigação tecidual deficiente. Primeiro ocorre a isquemia do tecido, em seguida, a mucosa adquire uma tonalidade que varia entre marrom e preto. (PAULA; CESARETTI, 2014b). A incidência da necrose varia de 2 a 10% em pacientes com estomias intestinais e pode ser classificada como superficial ou profunda. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015; VIEIRA, 2014). Conforme os autores citados, são descritas a seguir:

Fonte:Arquivo pessoal da Enfermeira Aline Royer (2017).

Quando não compromete mais do que um terço da circunferência da estomia, e o tecido necrótico se solta com a limpeza local, expondo-se o tecido róseo e saudável.

Superficial

Fonte: Arquivo pessoal da enfermeira Simone Wunsch (2015)

Quando o tecido necrótico atinge planos de aproximadamente 2 cm, sendo necessária a ressecção do segmento afetado e, consequentemente, a reconstrução da estomia.

Profunda

 
 

Apesar de a confecção da estomia ser considerada um procedimento cirúrgico simples, as complicações que surgem geralmente podem ser evitadas com uma adequada demarcação prévia do local e com técnica cirúrgica apropriada. O planejamento de cuidados específicos no período perioperatório dessas cirurgias são importantes, uma vez que interferem no processo de reabilitação do paciente. (PAULA; CESARETTI, 2014a; SCHMIDT; HANATE, 2015). 

A orientação das pessoas com estomia e de seus cuidadores é de responsabilidade da enfermagem e pode influenciar diretamente as ações de cuidado e autocuidado. Desse modo, a assistência de enfermagem especializada tem contribuído para a redução das complicações na pele periestomia. (SCHREIBER, 2016).

Nesse contexto, é importante destacar a orientação em relação à dieta, à promoção da ingesta hídrica e à identificação de sinais e sintomas que indicam obstrução intestinal, tais como náuseas, vômitos e distensão abdominal. (KAYO et al., 2015). 

Algumas complicações são imediatas, surgem nas primeiras 24 horas do pós-operatório, por exemplo: necrose de alça, hemorragia e edema. Outras são classificadas como precoces, ocorrendo entre o primeiro e o sétimo dia do pós-operatório, dentre as quais se destacam: o descolamento mucocutâneo, a fístula e a retração da estomia. As complicações tardias, por sua vez, se manifestam após a alta hospitalar ou até meses depois da cirurgia, por exemplo: hérnias paraestomais, prolapso de alça, retração da estomia, estenose, lesões pseudoverrucosas e dermatite periestomia. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015).

Além disso, algumas complicações são específicas das ileostomias, tais como: déficit de nutrientes (vitamina B12, magnésio e potássio), diarreia e dermatite. (KAYO et al., 2015). A seguir são descritas as complicações imediatas, mediatas e tardias.