Orientações

Complicações nas estomias e região da pele peristomia

Complicações

Edema na mucosa da estomia

O edema na mucosa da estomia ocorre após a realização da cirurgia e pode ser considerado uma resposta fisiológica do organismo ao trauma cirúrgico, em virtude da manipulação da alça intestinal. Costuma desaparecer 

espontaneamente entre duas e seis semanas de pós-operatório. É importante que o enfermeiro acompanhe a evolução do edema com o paciente, pois essa condição pode levar à isquemia e à necrose em razão da diminuição do suprimento sanguíneo local. (BORGES; RIBEIRO, 2015; PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015; VIEIRA, 2014). 

Indica-se o uso de medidor para mensuração do diâmetro da estomia nas primeiras semanas de pós-operatório, até que adquira o tamanho definitivo. Isso porque, à medida que o tempo passa, o diâmetro fisiologicamente diminui, com a regressão do edema. (NEIL et al., 2016).

Na estomia edemaciada, para evitar trauma na mucosa intestinal, a placa adesiva deve apresentar um orifício em torno de três milímetros maior que o tamanho da estomia. (BORGES; RIBEIRO, 2015; BURCH, 2014b).

Presença de edema na mucosa da estomia

Fonte: Arquivo pessoal da Enfermeira Aline Royer (2017).

 
 

Apesar de a confecção da estomia ser considerada um procedimento cirúrgico simples, as complicações que surgem geralmente podem ser evitadas com uma adequada demarcação prévia do local e com técnica cirúrgica apropriada. O planejamento de cuidados específicos no período perioperatório dessas cirurgias são importantes, uma vez que interferem no processo de reabilitação do paciente. (PAULA; CESARETTI, 2014a; SCHMIDT; HANATE, 2015). 

A orientação das pessoas com estomia e de seus cuidadores é de responsabilidade da enfermagem e pode influenciar diretamente as ações de cuidado e autocuidado. Desse modo, a assistência de enfermagem especializada tem contribuído para a redução das complicações na pele periestomia. (SCHREIBER, 2016).

Nesse contexto, é importante destacar a orientação em relação à dieta, à promoção da ingesta hídrica e à identificação de sinais e sintomas que indicam obstrução intestinal, tais como náuseas, vômitos e distensão abdominal. (KAYO et al., 2015). 

Algumas complicações são imediatas, surgem nas primeiras 24 horas do pós-operatório, por exemplo: necrose de alça, hemorragia e edema. Outras são classificadas como precoces, ocorrendo entre o primeiro e o sétimo dia do pós-operatório, dentre as quais se destacam: o descolamento mucocutâneo, a fístula e a retração da estomia. As complicações tardias, por sua vez, se manifestam após a alta hospitalar ou até meses depois da cirurgia, por exemplo: hérnias paraestomais, prolapso de alça, retração da estomia, estenose, lesões pseudoverrucosas e dermatite periestomia. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015).

Além disso, algumas complicações são específicas das ileostomias, tais como: déficit de nutrientes (vitamina B12, magnésio e potássio), diarreia e dermatite. (KAYO et al., 2015). A seguir são descritas as complicações imediatas, mediatas e tardias.