Orientações

Complicações nas estomias e região da pele peristomia

Complicações

Prolapso de alça

O prolapso de alça é uma complicação caracterizada pela exteriorização da alça intestinal, com comprimento acima de 5 cm. (BORGES; RIBEIRO, 2015). É mais comum em construções de estomia em alça, principalmente do cólon transverso. Os vários fatores de risco para o prolapso de alça são descritos a seguir.(BURCH, 2014b; PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015): 

Fatores de risco
Abertura na parede do abdome maior que o diâmetro da alça intestinal a ser exteriorizada;
Fixação inadequada do intestino na parede do abdome;
Posicionamento da estomia fora do músculo reto do abdome;
Aumento da pressão abdominal no pós-operatório causada, por exemplo, por choro, tosse, gravidez e obesidade.
Prolapso de alça

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2014).

A estomia com prolapso de alça exige equipamento coletor de placa plana e flexível. Além disso, a bolsa necessita diâmetro suficiente para acomodar a alça intestinal e o efluente (BORGES; RIBEIRO, 2015; BURCH, 2014b).

Prolapso de alça

Fonte: Acervo pessoal do autor(2014)

Bolsa com base plana e flexível

Fonte: Acervo pessoal do autor(2014)

O manejo do prolapso pode ser feito com redução digital, utilizando manobras delicadas da alça prolapsada, com uso de compressa fria e úmida. (BURCH, 2014b). Para determinar o tamanho do recorte da placa adesiva, a estomia deve ser considerada na sua exteriorização máxima. Pode ser necessário o uso de cinto elástico ajustável. (BORGES; RIBEIRO, 2015).

Na estomia definitiva, a correção cirúrgica é o tratamento de escolha. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015). Abaixo apresentam-se imagens de estomia com prolapso, antes e após a manobra digital. 

Prolapso ANTES da manobra digital

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2014).

Prolapso APÓS da manobra digital

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2014).

 
 
 

Apesar de a confecção da estomia ser considerada um procedimento cirúrgico simples, as complicações que surgem geralmente podem ser evitadas com uma adequada demarcação prévia do local e com técnica cirúrgica apropriada. O planejamento de cuidados específicos no período perioperatório dessas cirurgias são importantes, uma vez que interferem no processo de reabilitação do paciente. (PAULA; CESARETTI, 2014a; SCHMIDT; HANATE, 2015). 

A orientação das pessoas com estomia e de seus cuidadores é de responsabilidade da enfermagem e pode influenciar diretamente as ações de cuidado e autocuidado. Desse modo, a assistência de enfermagem especializada tem contribuído para a redução das complicações na pele periestomia. (SCHREIBER, 2016).

Nesse contexto, é importante destacar a orientação em relação à dieta, à promoção da ingesta hídrica e à identificação de sinais e sintomas que indicam obstrução intestinal, tais como náuseas, vômitos e distensão abdominal. (KAYO et al., 2015). 

Algumas complicações são imediatas, surgem nas primeiras 24 horas do pós-operatório, por exemplo: necrose de alça, hemorragia e edema. Outras são classificadas como precoces, ocorrendo entre o primeiro e o sétimo dia do pós-operatório, dentre as quais se destacam: o descolamento mucocutâneo, a fístula e a retração da estomia. As complicações tardias, por sua vez, se manifestam após a alta hospitalar ou até meses depois da cirurgia, por exemplo: hérnias paraestomais, prolapso de alça, retração da estomia, estenose, lesões pseudoverrucosas e dermatite periestomia. (PAULA; CESARETTI, 2014b; PAULA; MATOS, 2015).

Além disso, algumas complicações são específicas das ileostomias, tais como: déficit de nutrientes (vitamina B12, magnésio e potássio), diarreia e dermatite. (KAYO et al., 2015). A seguir são descritas as complicações imediatas, mediatas e tardias.